segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Pizza em família

D. Maria foi casada com um Martins. Ela não fala o nome dele. Se refere à ele apenas como marido. Culpa o Santo Antonio que amarrou no pé da cama por trazer qualquer marido: bonito, mas mulherengo, segundo palavras dela própria. D. Maria já era amiga de minha avó Zélia em Ipiaú antes de conhecer Martins em Salvador, e só depois descobrir que eram primos. Hoje ela tem 81 anos e não sabe dizer onde nasceu. Só disse que foi na região de Ipiaú e Jequié. Deve ter sido na fazenda da família.

D. Maria teve 3 filhos com Martins: Jorge, Junior e Maria Cristina. Morou 10 anos em Salvador, e depois foi para Suzano, interior de São Paulo onde a família de Martins vivia. Separou-se do marido e foi trabalhar. Os pais dela viviam em Ipiaú. Uma vez por ano, ou a cada dois anos, ela passava as férias em Ipiaú. Foi de ônibus e de carro, muitas vezes ela mesmo dirigindo. Geralmente era no mês de Julho, pois naquela época, o mês de Julho era muito frio em São Paulo. Hoje em dia o frio não chega aos pés do frio daquela época. Para viver e sustentar os 3 filhos, D. Maria vendia tecidos e depois cosméticos da Marinage, empresa alemã de cosméticos, atualmente conhecida como Yanih. Segundo D. Maria, na época era muito chique ter produtos importados e apenas a classe A podia adquiri-los. Hoje, é possível encontrar produtos importados até no camelô.

Segundo D. Maria a melhor escolha que ela fez foi vender para pessoas ricas. Vender para pobre e fiado não é bom. Ela fez ginásio e concluiu o segundo grau paralelo ao trabalho. Por muitos anos foi a maior vendedora do país e ganhou muitos prêmios por isso. E assim ela comprou uma casa no Campo Belo, criou os 3 filhos e vive confortavelmente com suas reservas. Ela sente pelo fato dos 2 filhos mais velhos não terem valorizado todo esforço que ela fez para cria-los e hoje não tem uma vida organizada. Ela teve 4 ou 5 fuscas, sempre zero quilometro. Como vendedora, tinha que viajar muito pelo interior e ter carro 0km é mais seguro e tem menos custos de manutenção.
O emprego como vendedora da Marinage rendeu boas e ilustres amizades a D. Maria. Ela participava de programas de TV na Bandeirantes para divulgar os produtos. Fez amizade com Ofélia, da cozinha maravilhosa. Disse também que Fernanda Montenegro gostava muito dos produtos. De fato, a pele de D. Maria é muito boa e bonita. Ela fez questão de me dar uma aula: nunca dormir maquiada, diariamente lavar, tonificar e hidratar a pele. Teve oportunidade de tornar-se coordenadora ou gerente de vendas. Mas optou continuar como vendedora, pois assim ela ganhava mais.

D. Maria diz que adaptar-se a São Paulo é difícil, mas não impossível. São Paulo recebe bem quem quer trabalhar. Os paulistas são muito exigentes. Inicialmente não é fácil ser amigo de paulista. Mas uma vez amigos, são para toda vida. Ela já enterrou quase todos os amigos. Só tem mais 1 ou 2.

Ela fez tanto sucesso na Marinage, que até hoje recebe produtos em casa. Uma fábrica foi construída em São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba (PR). Ela conhece o dono e a secretária dele, para quem ela liga sempre que precisa de um produto. Perguntou meu aniversário e disse que vai me dar um sabonete de presente. A marca é concorrente da Natura. Mas a Natura investiu bastante em publicidade e ganhou mais espaço. Atualmente a Marinage tem como foco de atuação a região Sul do país.



Em dezembro quanto estive em Salvador para o Natal, comentei que precisava fazer um tratamento dentário e estava com dificuldade de encontrar dentista de confiança e com preço acessível em São Paulo. Minha tia Adélia então lembrou dessa prima, Maria Cristina, que mantinha contato com minha tia Vi. Minha tia Vi mandou os contatos e comecei o tratamento em janeiro e só terminei em junho. D. Maria, mãe de Cristina, estava ansiosa para me conhecer. E na última sexta-feira marcamos uma pizza para esse encontro.



Ela só lembrava de minha tia Vi e meu tio Doito. Visitou minha avó Zélia em Salvador, aproximadamente 1 mês antes dela falecer. Mesmo o marido dela sendo o primo de minha avó, e ela tendo cortado relações com ele, D. Maria sempre manteve contato com meus avós. Cristina sempre lembra que quando meu tio Dedinho esteve em São Paulo para cirurgia, e que encontrou meu avô Salvador e ele conheceu o primeiro consultório dela. Na época, ele disse a ela que sempre tivesse uma reserva financeira. Ela nunca se esqueceu disso.



4 comentários:

  1. a corrente das tias realmente funciona, eu que o diga. comecei a ler o texto e achei que vc estava arriscando na ficção.
    Pizza em Sampa, fiquei com desejo.
    bjs, zula

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  2. Que bacana este resgate Larinha. Não conhecia tantos detalhes da história de Maria. Eu sempre fui das mais próximas em função de ser da mesma idade que Cristina. Era ótimo quando elas iam passar as férias em Ipiau.
    Mande um beijao pras duas e outro pra você. !
    Tia

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  3. Filhota, além de administradora de sucesso, acho que em breve será um sucesso de escritora, mas não de ficção Zula. Lara , Cati, Zula, podiam reunir as vivências em outros países, cidades para uma publicação coletiva. Já pensaram no sucesso? 3 continentes: América, África e Oceania... Boa sorte para as três.
    bjs
    mami

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  4. Lara, bastante interessante seu relato. Lembro de Maria e de Jorge, que morou em Ipiau, era mais próximo de Doito e Cacau (foi seu padrinho de casamento com Ligia) e Cristina também cheguei a conhecer . Júnior é o único que não tenho nenhuma lembrança . Leninha lembrou que Oswaldo ( marido de Maria), era irmão de João, que largou a batina para casar com Eunice, amiga de Regina. Painho foi contra, porque teve receio de que ele nao cumprisse o prometido (ela me contou). Resultado: mais de 40 anos de casados, três filhos e vários netos. João faleceu ano passado e a familia mora em Brasília. Sempre mantenho contato com eles. Todos são advogados e tem um escritório muito respeitado por lá. Resta agora convidar Maria e Cristina para virem a Salvador. Beijão. Tia Adelia

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